A mais recente rodada de pesquisas da Quaest indica que este ano pode ser histórica para as eleições ao Senado, com a possibilidade de alcançar o maior número de mulheres eleitas na Casa. O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), revelou que atualmente há 15 mulheres em posição favorável e outras 14 com candidaturas competitivas, refletindo uma diversidade que abrange desde candidatos à esquerda até à direita.
Caso pelo menos dez candidatas sejam eleitas em outubro, a participação feminina no Senado poderá igualar a de 2014, que teve 18,5% de mulheres, quando cinco das 27 senadoras eram do sexo feminino. As eleições de 2002 e 2010 ainda mantêm o recorde absoluto, com a eleição de oito senadoras, uma marca que pode ser superada nas próximas eleições.
Medeiros ressalta que, na última década, o Senado tem ganhado crescente relevância na dinâmica entre os Poderes. Este cenário tem levado os partidos a selecionar algumas de suas figuras mais proeminentes para concorrer às cadeiras do Senado, incluindo muitas mulheres. Ele destaca que o aumento da representação feminina não se restringe a uma única corrente ideológica, com candidaturas surgindo em diversas posições políticas. Isso demonstra uma mudança significativa na estratégia eleitoral, que agora inclui vozes femininas em várias frentes.
Marcela Machado, doutora em Ciência Política pela UnB, chama a atenção para um aspecto crucial: embora a ampliação da representação feminina seja positiva, não necessariamente as eleitas terão pautas convergentes no Congresso. Ela observa que a diversidade de candidaturas em diferentes campos políticos indica que a participação feminina pode se expandir por caminhos variados, sem que haja uma agenda comum entre elas.
Medeiros identifica as mulheres como a “principal fortaleza eleitoral” da base governista, com figuras como Simone Tebet e Marina Silva se destacando no Sudeste. A análise também aponta para a presença de mulheres proeminentes no núcleo bolsonarista, como Michele Bolsonaro, além de outras candidatas posicionadas em várias partes do país.
Destaque-se também a presença de novas lideranças, como Janaína Riva e Marina JHC, que mostram uma nova geração de mulheres candidatas, dispostas a romper com velhos padrões políticos. Além disso, aparecem nomes competitivos fora do lulismo e bolsonarismo, indicando que o crescimento da participação feminina é um fenômeno amplo e nacional.
Carolina Botelho, pesquisadora do INCT/SANI, aponta que a pressão da sociedade civil tem sido fundamental para garantir um maior espaço para mulheres no Congresso. Contudo, ela adverte que o quadro atual ainda é insuficiente, com a representação feminina longe de ser proporcional à sua presença na sociedade. A falta de recursos, acesso a apoio em campanhas e incentivos adequados ainda impede muitas mulheres qualificadas de entrar na política.
Com as eleições se aproximando, os dados recentes sobre o cenário eleitoral por região revelam uma dinâmica complexa, com mulheres emergindo como candidatas de destaque em diversos estados. A análise das pesquisas evidencia um momento oportuno para a maior inclusão e representação feminina, refletindo uma crucial transformação na política brasileira.


