A primeira-dama Michelle Bolsonaro participou, nesta quarta-feira, de um evento no Ministério da Saúde, marcando sua primeira aparição pública desde a derrota do presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 31 de outubro. Michelle se posicionou à mesa principal do auditório, acompanhada do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e de outras autoridades, embora não tenha realizado qualquer discurso.
O evento está relacionado a um polêmico episódio do ano passado, quando o presidente vetou um artigo de uma legislação que previa a distribuição de absorventes para estudantes de baixa renda, mulheres em situação de rua e aquelas em vulnerabilidade extrema. Essa decisão provocou desgastes significativos para o governo, especialmente junto ao eleitorado feminino. Após cinco meses, o governo lançou um decreto que poderia driblar a situação e, posteriormente, o veto do presidente foi derrubado pelo Congresso. No entanto, apenas agora a distribuição efetiva dos produtos será executada.
A cerimônia contou com a presença da ministra Cristiane Brito (Mulher, Família e Direitos Humanos) e da ex-ministra e senadora eleita Damares Alves, que se juntaram a Queiroga em elogios a Michelle, que foi referida como uma relevante figura no apoio ao governo. O ministro Queiroga não hesitou em chamá-la de “melhor primeira-dama do Brasil”. Durante o evento, houve um momento em que o locutor anunciou que Michelle faria uso da palavra, mas ela sinalizou que não se manifestaria, deixando a palavra para Queiroga.
Michelle se destacou como uma importante apoiadora de Bolsonaro na recente campanha eleitoral, especialmente entre as eleitoras, em um momento em que o presidente enfrenta rejeição entre esse público, conforme indicam pesquisas. Após os resultados eleitorais, a primeira-dama fez algumas postagens nas redes sociais, mas se absteve de aparições públicas. Por sua vez, o presidente tem estado mais recluso, permanecendo por um longo período no Palácio da Alvorada, embora tenha retornado ao Palácio do Planalto nesta quarta-feira, após quase três semanas.
O Ministério da Saúde anunciou que o programa de distribuição de absorventes beneficiará aproximadamente 4 milhões de mulheres. Deste total, 3,5 milhões são estudantes de baixa renda, ao lado de 29 mil adolescentes internadas em unidades de cumprimento de medidas socioeducativas e 17 mil mulheres em situação de rua ou vulnerabilidade extrema. O investimento estimado para a implementação desse programa gira em torno de 140 milhões de reais por ano.
Durante a cerimônia, Queiroga fez um discurso firme em defesa do governo federal, abordando temas que ressoaram com a linha do presidente Jair Bolsonaro durante a campanha, incluindo críticas ao aborto e menções ao Foro de São Paulo, uma organização que agrupa partidos de esquerda da América Latina.


