BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira, 6, que Leandro Grass, candidato do PT ao governo do Distrito Federal, possui “informações importantes” sobre o Banco de Brasília (BRB) que serão reveladas durante o segundo turno da campanha. No entanto, Lula não especificou quais informações seriam essas, destacando que a discussão ocorrerá “em outro momento”.
“Chegou a hora da verdade para o Brasil saber das coisas e o companheiro Leandro Grass trazer informações importantes sobre o BRB, que vamos discutir em um outro momento”, declarou Lula em seu discurso no QG da campanha, no Lago Sul.
As eleições no Distrito Federal estão sendo realizadas em meio a uma crise financeira significativa do BRB, que está sob controle do governo local. O banco sofreu um enorme prejuízo decorrente de fraudes associadas ao Banco Master, antigo ativo do banqueiro Daniel Vorcaro.
A governadora Celina Leão (PP) havia assegurado que cobriria o prejuízo gerado pelo Banco Master no BRB até junho, promessa que não foi cumprida. Para tentar resolver a situação, o governo do DF solicitou um empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas enfrentou dificuldades em obter garantias necessárias para finalizar a operação. Celina, então, moveu uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), buscando obrigações da União no financiamento, atualmente sob análise do ministro Luiz Fux.
Embora o BRB não tenha publicado seu balanço financeiro referente a 2025, estima-se que o prejuízo atinja ao menos R$ 8,8 bilhões, e esse montante pode ser ainda maior dependendo da auditoria das carteiras do Banco Master e do patrimônio final da instituição.
Informações recentes indicam que a ausência de balanços financeiros sólidos está dificultando a formulação de propostas dos principais candidatos em relação ao BRB, com preocupações sobre a possibilidade de privatizações ou liquidações do banco após as eleições. Na semana anterior ao pleito, Celina afirmou que o problema do BRB se resolveria com o fim das eleições, destacando seu compromisso em manter a instituição pública.
Além da crise do BRB, o próximo governante enfrentará o desafio de sanar um rombo de R$ 5,5 bilhões no orçamento do Distrito Federal, conforme apontado pelo Tribunal de Contas local. Embora o governo do DF tenha registrado um superávit de R$ 1,7 bilhão no primeiro semestre, essa situação foi possível graças a receitas extraordinárias obtidas com a venda de partes da dívida ativa e a uma rigorosa contenção de gastos.
A campanha de Celina no primeiro turno foi estrategicamente marcada por posicionar-se como representante de um “novo governo”, numa tentativa de distanciar-se da imagem desgastada de Ibaneis, que foi crucial na compra do Banco Master pelo BRB. A disputa política também envolve Leandro Grass, que buscou votos até a última hora, apelando pelo voto útil e destacando-se como a única alternativa viável contra a atual governadora.
A combinação da crise econômica com o histórico do PT em gestões anteriores no governo do DF cria um cenário desafiador para Grass, que tem que superar as resistências ao partido na capital, marcadas pela influência política do bolsonarismo.


