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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira, 10, que mais de 175 mil vistos foram revogados. Segundo o Departamento de Estado americano, a maioria dos documentos cancelados resultou de “encontros com a polícia”.
A administração Trump diz que a suspensão das autorizações é “resultado de operações contínuas de verificação do Departamento de Estado, que garantem que os portadores de visto cumpram os termos e não coloquem os americanos em perigo”. Entre os motivos listados pelo governo para a revogação dos vistos está, por exemplo, a incitação à violência contra cidadãos americanos.
“A maioria desses vistos foi revogada devido a abordagens policiais por uma série de atividades criminosas, sendo agressão, direção sob efeito de álcool ou drogas, furto e crimes relacionados a drogas as principais causas. Uma parcela significativa dos vistos foi revogada por direção imprudente, agressão sexual, abuso infantil, fraude e peculato, entre outros crimes”, afirmou o Departamento de Estado em comunicado.
No texto, o órgão governamental afirma que continuará identificando, investigando e revogando vistos de estrangeiros que representem uma ameaça à segurança do povo americano. Entre os exemplos fornecidos pelo Departamento de Estado, estavam “diversos cidadãos estrangeiros que comemoraram o assassinato de Charlie Kirk“, ativista de direita morto em setembro de 2025.
A nota afirma, ainda, que os documentos também foram cancelados para indivíduos que postaram em suas redes sociais frases como “quando fascistas morrem, democratas não reclamam”.
Entre os vistos revogados recentemente, está o de Tou Lue Vang, de 42 anos. O homem, pai de seis filhos, foi deportado para o Laos em julho pelo Departamento de Segurança Interna. Em 2005, Vang foi condenado por abuso sexual de uma criança. Neste ano, o asiático foi perdoado pelo governador de Minnesota, Tim Walz, semanas antes de ser deportado. O Departamento de Estado justificou a expatriação do imigrante com “motivos de política externa”.
De acordo com o texto, outros deportados com essa mesma justificativa incluem cidadãos cubanos por ligações com o regime comunista, iranianos nos EUA com ligações com o regime iraniano e um cidadão kuwaitiano que “desejava violência contra” o presidente e os EUA e chamou os americanos de seus “inimigos”.
No comunicado, o Departamento de Estado
também informou que uma embaixada dos EUA no Norte da África revogou mais de 100 vistos de pais que viajavam ao país para realizar “turismo de nascimento”. Eles tinham como objetivo principal dar à luz em território americano para que seus filhos obtivessem a cidadania.
“Um visto americano é um privilégio, não um direito. O Departamento permanece empenhado em usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossas comunidades daqueles que abusam dele”, finalizou o órgão governamental.
O governo do presidente americano, Donald Trump, que desde o início promove um cerco à imigração já havia mirado essa cláusula anteriormente. No início do ano, a administração tentou acabar totalmente com o direito à cidadania por nascimento, o que juristas denunciaram como inconstitucional por violar a 14ª Emenda.
Somado a isso, o governo trabalha ainda em na política chamada “public charge rule” (regra de ônus público, em tradução livre), que daria sinal verde para que agentes de imigração neguem pedidos de candidatos que, na avaliação deles, possam um dia depender de assistência social, seja por não serem qualificados o suficiente ou por falta de patrimônio.
Agentes consulares também já foram orientados a analisar publicações nas redes sociais de solicitantes em busca de posicionamentos anti-Israel, críticas a Trump ou outras opiniões consideradas contrárias ao que o governo chama de “valores americanos”.


