A ex-BBB Isabelle Nogueira, de 33 anos, veio às redes sociais para expor que iniciou o processo de congelamento de óvulos, mostrando as aplicações hormonais que são necessárias para estimular o crescimento de células reprodutivas que serão coletadas. A publicação traz à tona uma tendência entre as mulheres e ainda faz um questionamento sobre a estratégia na atualidade.
O ginecologista obstetra especialista em reprodução humana Dr Rodrigo Rosa explica que a maternidade cada vez mais tardia é um dos pontos que justifica a nova tendência.
“Nos últimos anos, o congelamento de óvulos deixou de ser um assunto restrito e passou a ocupar espaço nas redes sociais e na mídia. Esse movimento acompanha uma mudança de comportamento entre as mulheres, que têm adiado a maternidade por questões profissionais, pessoais ou pela ausência de um parceiro. Além disso, a normalização do tema por figuras públicas contribui para reduzir o tabu e estimular cada vez mais pessoas a se informarem e buscarem o procedimento”, ressalta.
Como funciona o processo?
O médico Rodrigo Rosa explica como funciona a criopreservação, que é a tecnologia em que os óvulos são congelados a uma temperatura extremamente baixa, e como ela pode servir para mulheres que tem endometriose, para aquelas que passam por quimioterapia ou quem deseja postergar uma gestação.
“Basicamente, o congelamento de óvulos consiste na criopreservação dessas células em nitrogênio líquido na temperatura de -196°C, mantendo o metabolismo completamente inativado, mas preservando o potencial de desenvolvimento e a viabilidade”, detalha.
Assim, o especialista ainda destaca que quanto mais jovem a mulher realizar o congelamento, maior será a chance de o óvulo gerar um bebê.
“Hoje, tem crescido muito o que chamamos de congelamento social de óvulos, isto é, mulheres jovens que congelam os seus óvulos numa tentativa de evitar a infertilidade relacionada à idade e de poder ter filhos no momento certo para elas, mais tarde nas suas vidas”, afirma.
Rodrigo Rosa aponta que já a partir dos 40 anos, a probabilidade de um óvulo gerar um bebê é reduzida.
“O ideal é que seja realizado até os 35 anos, visto que, a partir dessa idade, há uma queda acentuada não apenas na quantidade de óvulos, mas também na qualidade. Mas é possível congelar os óvulos até 41/42 anos. Após os 43, a probabilidade de o óvulo gerar um bebê é muito reduzida. Não é impossível, mas pode não valer a pena, então cada caso deve ser avaliado individualmente”, explica o especialista.
Todo o processo ocorre de maneira semelhante, e pode levar cerca de três semanas.
“Além de uma bateria de exames para verificar a qualidade dos óvulos, a mulher, inicialmente, deve fazer uso de pílulas anticoncepcionais por uma a duas semanas para desativar temporariamente os hormônios naturais. Mas, em casos de urgência, como antes da terapia contra o câncer, essa etapa pode ser ignorada. Em seguida, realizamos injeções de hormônios por cerca de 10 dias para estimular os ovários e amadurecer vários óvulos. É só após amadurecerem adequadamente que os óvulos são coletados, o que é realizado sob efeito de sedação por meio de uma pequena agulha que é inserida na vagina e é guiada por um transdutor até os ovários para que os óvulos sejam aspirados e congelados imediatamente,”
Efeitos colaterais
O especialista também alerta para alguns efeitos colaterais esperados para o processo.
“Devido ao uso dos hormônios necessários para estimulação ovariana, a mulher pode apresentar sintomas como dor de cabeça, instabilidade emocional, inchaço, náusea e dor muscular. Mas esses sintomas, que são muito similares aqueles da TPM, passam com o fim da estimulação hormonal e podem ser aliviados com o devido acompanhamento médico”, acrescenta o Dr. Rodrigo Rosa.
Fertilização in Vitro
Após o processo, os óvulos podem permanecer congelados por muitos anos. Após serem descongelados, a “taxa de sobrevivência” deles é de 90%, em média.
Assim, quando a mulher estiver pronta, é realizada uma Fertilização In Vitro.
“Na Fertilização in Vitro, o óvulo é fecundado com o espermatozoide em laboratório, formando o embrião que, após certo tempo de desenvolvimento, é transferido para o útero da mulher”, explica o médico.
No entanto, o congelamento dos óvulos não é uma garantia definitiva de gestação no futuro, já que existem diversos fatores que podem interferir na viabilidade do óvulo durante todo o processo.
“Alguns óvulos podem não sobreviver ao degelo, enquanto outros podem não ser fertilizados com sucesso. A idade também é importante, visto que, apesar dos óvulos estarem congelados, a mulher continua a envelhecer e, consequentemente, terá que enfrentar as realidades da gravidez na idade que possui. Mas, já evoluímos muito nesse sentido e, hoje, taxas de descongelamento de óvulos e de fertilização de 75% são esperadas em mulheres de até 38 anos de idade”, destaca.


