Ler Resumo
Enquanto os serviços de emergência continuam trabalhando para tentar localizar sobreviventes no Nepal e no Tibete, o Exército nepalês localizou, na quinta-feira, 27, centenas de pessoas presas no túnel de um projeto hidrelétrico após as enchentes repentinas que devastaram o país nesta semana.
Segundo os militares, quase 350 trabalhadores e moradores da área próxima ao projeto foram colocados em segurança, mas ainda há uma operação em andamento para salvar mais de 100 pessoas; sua saída do túnel permanece bloqueada.
“Enviamos dois helicópteros, mas é um desafio porque é difícil, inclusive, localizar as entradas do túnel”, declarou o porta-voz militar Raja Ram Basnet à agência de notícias AFP.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram os momentos do resgate, com soldados se arrastando na lama para alcançar as pessoas presas e helicópteros sobrevoando ao redor.
The Nepali Army heard news of about 400 people being trapped in the Trishuli Tunnel.
A rescue operation was immediately launched, and approximately 300 people have been evacuated.
100 people are still inside, and efforts to rescue them continue.#Nepal pic.twitter.com/dzcCgZUnLt
— رضوانہ (@Rizvana_72) August 28, 2026
CATÁSTROFE NEPAL 🇳🇵 continúan las labores de rescate en el túnel del proyecto hidroeléctrico, ubicado en Rasuwa, donde muchas personas quedaron atrapadas debido a inundaciones y alud, el terreno es complicado y las condiciones peligrosas, sin embargo, la búsqueda continúa para… pic.twitter.com/R74X3o3ws9
— Mi Venezuela LIBRE! (@PMT67) August 28, 2026
Trabalhadores resgatados no vale de Trishuli descreveram uma catástrofe que aconteceu com uma velocidade assustadora.
“Sobrevivi porque estava no túnel”, contou Buddha Tamang, retirado de helicóptero na quinta-feira, depois de permanecer isolado por mais de 24 horas. “Os diretores que trabalhavam do outro lado foram arrastados pela correnteza”, acrescentou.
Em um hospital improvisado no Nepal, os sobreviventes enfrentam uma espera agonizante por notícias dos parentes desaparecidos.
Kula Priya disse à AFP que perdeu tudo com a avalanche de lama na quarta-feira, 26, incluindo o filho mais velho, com quem não conseguiu contato desde então. “Não me importo com riqueza. Só quero meu filho de volta. Se algum de vocês puder resgatar meu filho, por favor, faça isso por mim”, disse.
A escala do desastre
A Cruz Vermelha estimou nesta sexta-feira, 28, que mais de 90 mil pessoas foram diretamente afetadas pelo deslizamento de terra catastrófico. Vídeos do desastre de quarta-feira 26 mostram uma enorme parede de água avançando sobre a região enquanto pessoas tentavam fugir. A força, o volume e a velocidade da enchente deixaram pouco tempo para que as pessoas pudessem escapar. A onda arrastou caminhões e engoliu casas, estradas e usinas de energia no Nepal. Já no Tibete, autoridades falaram em um “grande número de vítimas” após um deslizamento de lama atingir uma passagem de fronteira.
Mais de 500 pessoas morreram e quase 1. 500 estão desaparecidas, incluindo cerca de 1. 000 estrangeiros cujo paradeiro é desconhecido. A destruição ocorreu ao longo de uma rota que liga Catmandu a Lhasa, no Tibete — um trajeto muito frequentado por praticantes de trekking e peregrinos hindus e budistas.
O desastre também elevou o temor de novas inundações, uma ameaça que dificulta o trabalho das equipes de resgate. Caminhões com suprimentos ficaram impedidos de avançar devido ao rompimento de um lago formado pelos detritos do deslizamento de terra por trás das inundações.
O porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, alertou ainda que seis unidades de saúde locais foram danificadas na região e advertiu para o risco de doenças infecciosas após a tragédia. “Após um desastre dessa escala, deslocamento, superlotação e interrupção dos serviços de água, saneamento e saúde podem aumentar o risco de doenças infecciosas, incluindo diarreia e doenças respiratórias”, disse ele.
Causa da tragédia
O Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) indicou que a tragédia foi provocada pelo colapso parcial de uma geleira que desencadeou um enorme fluxo de água gelada e sedimentos.
A mudança climática está provocando o derretimento das massas de gelo em todo o mundo, o que eleva os riscos de inundações causadas pelo colapso das geleiras.
A torrencial massa de gelo e lama também formou enormes acúmulos de água. Um deles se rompeu nesta sexta-feira no Tibete, colocando em risco as equipes que trabalham na área.


