A inteligência artificial (IA) transformou profundamente a dinâmica de investimento em startups. Para Romero Rodrigues, gestor da Headline para o Brasil e a América Latina, a tecnologia reduziu significativamente o custo e o tempo necessários para que uma startup saia do zero e chegue ao MVP (produto mínimo viável).
“A startup para sair do zero e chegar até o MVP ficou muito mais fácil, ficou muito mais barato”, afirmou Romero Rodrigues durante entrevista ao programa “Café com Investidor“.
Segundo ele, é possível construir protótipos rapidamente, testar mercado e até alcançar o product market fit com o auxílio da IA, o que reduz a necessidade de capital nas rodadas iniciais.
Go-to-market se torna o novo desafio
No entanto, a facilidade de criação trouxe um efeito colateral: o aumento da concorrência. Romero Rodrigues destacou que, como ficou simples criar soluções, as grandes empresas passaram a receber dezenas de startups oferecendo produtos semelhantes. “Aquela empresa grande está recebendo 40 startups com a mesma solução. Então o go-to-market ficou muito mais difícil”, explicou.
Para o gestor, soluções mais rasas e superficiais têm menor chance de sucesso, enquanto aquelas verticalizadas e profundamente integradas ao stack tecnológico das empresas-alvo apresentam maior potencial.
Romero Rodrigues também alertou para o papel das empresas incumbentes nesse cenário. Em setores onde os players estabelecidos são fortes e têm capacidade de empacotar soluções de IA, as startups tendem a encontrar mais dificuldades.
“Se o incumbente é muito forte e tem habilidade para poder empacotar IA, provavelmente é um setor que a gente vai ficar de fora”, disse.
Além disso, ele ressaltou que investir em startups sem nenhum componente de IA já não é mais uma opção viável. “IA virou a ferramenta fundamental dentro da empresa e também na solução de produto”, afirmou.
Como a Headline usa IA internamente
O gestor revelou que a própria Headline incorporou a inteligência artificial em seus processos internos há mais de dez anos. A gestora conta com ferramentas proprietárias de IA, incluindo um sistema chamado Deep Dive, que analisa lançamentos financeiros, calcula métricas e taxas de cancelamento, entre outros indicadores.
A diligência técnica também é realizada por IA: “O founder passa o acesso ao GitHub dele e a nossa IA analisa o código e vê a qualidade do código”, explicou Romero Rodrigues.
O papel do Brasil no ecossistema de IA
Ao analisar o espaço que as startups brasileiras podem ocupar no ecossistema global de inteligência artificial, Romero Rodrigues foi direto: áreas como hyperscalers, semicondutores e modelos de laboratório são de difícil acesso para empresas nacionais.
A oportunidade, segundo ele, está na camada de aplicação. À medida que o acesso aos modelos deixa de ser um entrave, startups poderão utilizar ferramentas open source e retreiná-las com dados proprietários. “Setores verticais regulados, fintech, saúde, entre outros, e, obviamente, onde a gente tem muita ineficiência”, são os espaços que ele enxerga como mais promissores para o Brasil.
Café com Investidor
O programa Café com Investidor é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Ralphe Manzoni. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 19h45, no CNN Money.


