Os drones mudaram a maneira de fazer guerra. A tecnologia colocou em xeque a velha lógica de que o Exército mais numeroso e mais bem armado necessariamente leva vantagem no campo de batalha. Na Ucrânia e no Oriente Médio, aeronaves não tripuladas passaram a ser usadas em ataques, reconhecimento e operações de defesa.
A estratégia não se limita aos modelos de baixo custo. Enquanto países como Ucrânia, Rússia e Irã apostam em aeronaves que podem ser fabricadas rapidamente e lançadas em grandes quantidades, potências militares também desenvolvem drones muito mais sofisticados, capazes de permanecer horas no ar, carregar armamentos de precisão e, em alguns casos, escapar da detecção por radar.
Conheça os cinco dos drones de combate mais avançados e letais em operação ou desenvolvimento no mundo.
MQ-9 Reaper, Estados Unidos
Conhecido por sua capacidade de vigilância e ataque, o MQ-9 Reaper é um dos drones militares mais famosos do mundo. Produzido pela General Atomics e operado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, o modelo foi desenvolvido para missões de inteligência, reconhecimento e ataques de precisão.
O Reaper pode voar a até 50 mil pés de altitude e transportar até 1,7 tonelada de carga útil. Entre os armamentos compatíveis estão os mísseis Hellfire e diferentes tipos de bombas guiadas. A aeronave também conta com sensores capazes de localizar e acompanhar alvos a longa distância.
Sua grande vantagem é a autonomia: o drone consegue permanecer no ar por longos períodos, permitindo que operadores monitorem uma área e ataquem um alvo sem colocar um piloto em risco.

S-70 Okhotnik, Rússia
Com aparência de uma grande asa, o S-70 Okhotnik é um dos projetos mais ambiciosos da Rússia na área de aeronaves não tripuladas. O drone foi desenvolvido pela Sukhoi com características destinadas a reduzir sua assinatura de radar.
A aeronave foi projetada para operar em conjunto com o caça Su-57, funcionando como uma espécie de parceiro não tripulado em missões de reconhecimento e ataque. Dados divulgados pela Rússia apontam que o modelo pode alcançar cerca de 1.000 quilômetros por hora.
A seguir, cinco exemplos que ajudam a dimensionar até onde chegou a tecnologia dos drones de combate.

Bayraktar TB2, Turquia
Poucos drones tiveram tanta repercussão nos conflitos recentes quanto o Bayraktar TB2. Produzido pela empresa turca Baykar, o modelo ganhou destaque por combinar custo relativamente baixo, autonomia e capacidade de ataque.
O TB2 pode permanecer mais de 20 horas no ar, atingir 22 mil pés de altitude e transportar até 150 quilos de carga útil, de acordo com o fabricante. A aeronave pode lançar munições guiadas a laser e outros armamentos de precisão.
O sucesso do modelo em diferentes conflitos ajudou a consolidar uma das principais características da atual guerra de drones: uma aeronave relativamente simples pode produzir efeitos militares relevantes sem exigir o investimento de um caça convencional.

Wing Loong II, China
Desenvolvido pela indústria aeronáutica chinesa, o Wing Loong II é um drone de média altitude e longa permanência no ar, semelhante em conceito ao americano MQ-9 Reaper.
O modelo pode permanecer no ar por mais de 30 horas e transportar centenas de quilos de armamentos. Bombas e mísseis guiados estão entre as armas que podem ser utilizadas pela aeronave.
O Wing Loong II também ganhou espaço fora da China e passou a integrar os arsenais de diferentes países, tornando-se um dos principais exemplos da expansão chinesa no mercado internacional de drones militares.

Shahed, Irã
É justamente aqui que a tecnologia sofisticada dá lugar à lógica da quantidade. Os drones da família Shahed, desenvolvidos no Irã e utilizados em larga escala pela Rússia na guerra contra a Ucrânia, tornaram-se uma das armas mais emblemáticas dos conflitos atuais.
Em comparação com drones como o Reaper, os Shahed são equipamentos relativamente simples. Sua força está no baixo custo e na possibilidade de produção em grandes volumes. Lançados em enxames, podem obrigar o adversário a mobilizar sistemas de defesa muito mais caros para interceptá-los.
A importância do modelo é tamanha que a Rússia passou a produzir versões próprias e a incorporar modificações ao projeto original. O uso dos Shahed é um dos exemplos mais claros da nova lógica descrita na reportagem de VEJA: na guerra de drones, nem sempre o equipamento mais sofisticado é o que causa o maior impacto.



