Após ter seu nome citado em um relatório da Polícia Federal (PF) que detalha a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria apresentou sua versão sobre a proximidade entre os dois e sobre a indicação do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, para prestar serviços ao Banco Master.
Em conversa por telefone com o site Correio da Manhã, Faria negou ter cometido irregularidade e afirmou que não sabia que o contrato firmado entre o escritório e o banco chegaria a R$ 131 milhões.

Ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL), Faria também comentou as críticas feitas por integrantes do campo conservador em razão de sua relação com Moraes e das interlocuções mantidas depois que deixou o governo.
Segundo ele, os vínculos com o ministro são anteriores à sua passagem pelo Executivo e fazem parte das relações que manteve após deixar a vida pública.
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Questionado sobre a razão de ter indicado justamente o escritório de Viviane Barci de Moraes a Vorcaro, Faria respondeu:
“A sugestão se deu no contexto de um processo judicial que Daniel enfrentava no Tribunal de Justiça de São Paulo, que, na época, no final de 2023, ele disse que era o único processo que tinha e que não havia nenhum outro. À época, quando ele me perguntou sobre o escritório, eu respondi que o conhecia e que tinha uma boa avaliação sobre sua atuação. Não participei de nenhuma reunião com a banca, não fiz avaliação jurídica do processo, até porque não sou advogado, e muito menos sobre os honorários. Na minha vida privada, sugeri vários escritórios de advocacia em outras ocasiões, alguns contratados, outros não, o que é absolutamente normal, e nunca soube de valores de nenhum deles, nem deste nem dos outros, porque não cabe a mim.”
As mensagens analisadas pela PF também registram que Faria teria participado de conversas sobre a duração do contrato. Ao ser questionado sobre o motivo de ter opinado a respeito do prazo, ele afirmou:
“Fui consultado após o próprio Daniel me dizer que havia fechado um contrato de longo prazo, como é comum em contratos advocatícios. Perguntado, pontualmente, se o prazo seria de quatro ou de três anos, respondi que poderia ser de três, como opinaria qualquer pessoa a quem se pede uma referência. Minha participação se resumiu a essa opinião.”
Sobre o valor do acordo, que posteriormente chegou a R$ 131 milhões, Faria negou ter participado das discussões ou ter conhecimento dos valores envolvidos.
“A minha participação foi apenas sugerir o escritório. Em nenhum momento tratei sobre valores ou participei de qualquer tratativa do contrato. Isso ficou apenas entre as partes. Não fui parte nisso. Já trabalhei em outras instituições nas quais indiquei escritórios de advocacia e negócios foram fechados. Nessas outras ocasiões, tampouco fui informado sobre valores.”
Faria também foi questionado sobre sua atuação na aproximação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O ex-ministro afirmou que os dois vínculos surgiram em momentos diferentes de sua trajetória e negou que sua relação com o banqueiro tivesse origem em sua atuação no governo.
“São relações de momentos completamente diferentes. Minha relação com o ministro Alexandre de Moraes vem da minha trajetória política e a mantive depois que deixei a vida pública, como mantive tantas outras. Daniel Vorcaro, conheci no final de 2023, quase um ano após deixar o governo, no contexto da minha atuação profissional na iniciativa privada (relações institucionais do BTG Pactual), como já esclarecido publicamente. Não o conheci, nem a ninguém do banco, enquanto exerci funções públicas, e não tive com ele qualquer relação em razão de cargo. Era um empresário em ascensão, conhecido no mercado financeiro, com relações próprias no mercado e em Brasília. Compartilhei o contato e houve encontros de natureza social, e, para um caso específico, sugeri o escritório já mencionado. Não há nisso qualquer irregularidade.”
A relação de Faria com Moraes também se tornou alvo de críticas dentro da direita, especialmente por ele ter ocupado um ministério durante o governo Bolsonaro e, posteriormente, mantido contato com integrantes de diferentes campos políticos.
Ao responder sobre o assunto, o ex-ministro lembrou que sua interlocução com Moraes começou antes mesmo de Bolsonaro chegar à Presidência e continuou durante sua passagem pelo governo, quando, segundo ele, parte de suas atribuições envolvia justamente a tentativa de reduzir conflitos entre os Poderes.
“Fui ministro do presidente Bolsonaro em 2020. Além da missão de implementar o 5G, cheguei em junho, no auge de uma crise em que os Poderes estavam em conflito, e parte do meu trabalho era justamente a interlocução com a imprensa, o Congresso e o Judiciário. Conheci o ministro Alexandre de Moraes antes do governo Bolsonaro e, durante o próprio governo, tive interlocução com ele em diferentes momentos, para amenizar conflitos institucionais, assim como fizeram outros ministros.”
E finalizou:
“Deixei o governo em dezembro de 2022 e fui para a iniciativa privada, onde preservo as relações que construí na vida pública, nos diversos campos políticos.Em relação ao presidente Lula, é importante corrigir uma informação: não fiz qualquer aproximação entre ele e o ministro Alexandre de Moraes. O episódio a que provavelmente se referem foi um evento institucional, com convites institucionais e a presença de autoridades de diversas instituições (a inauguração do canal de notícias SBT News). Não houve qualquer intermediação de minha parte.”


