O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, pediu aos países muçulmanos que se unam contra os Estados Unidos e Israel, em uma mensagem escrita divulgada neste domingo (30), seis meses após o início da guerra no Oriente Médio .
Mojtaba foi ferido nos ataques aéreos que mataram seu pai, Ali Khamenei, no primeiro dia da ofensiva americano-israelense contra o Irã, em 28 de fevereiro. Desde então, ele não voltou a aparecer em público, e as autoridades não divulgaram imagens nem gravações recentes de sua voz.
“A solução para os problemas da Umma [comunidade muçulmana] está na unidade de discurso, na amizade e na cooperação no caminho do bem”, declarou o aiatolá, em uma mensagem publicada na conta do líder supremo no Telegram por ocasião da Semana da Unidade Islâmica, que celebra o aniversário do profeta Maomé.
“Quem quer que seja, independentemente do cargo que ocupe, se fizer algo que provoque divisão entre os muçulmanos e crie conflitos dentro da comunidade muçulmana, consciente ou inconscientemente, voluntária ou involuntariamente, terá servido aos objetivos dos inimigos do islã”, acrescentou.
“Minha recomendação enfática e reiterada aos governantes dos países islâmicos, especialmente aos países da Ásia Ocidental e do Golfo, é: identifiquem seu verdadeiro inimigo, compreendam o plano dele e enfrentem-no”, disse Mojtaba.
A mensagem questionou se os palestinos teriam sido deixados “tão desamparados” caso os muçulmanos estivessem unidos.
Desde a Revolução Islâmica de 1979, as monarquias árabes do Golfo veem a ideologia revolucionária do Irã —incluindo sua retórica antimonárquica e sua influência regional— como uma ameaça a seus sistemas políticos.
Em resposta à ofensiva militar dos EUA e Israel, o Irã atacou instalações americanas em países aliados de Washington na região, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Qatar e Bahrein.
O líder supremo, que tem a palavra final sobre as principais decisões políticas do Irã, voltou a pedir aos dirigentes e ao povo iraniano que deixem de lado suas diferenças e se unam na luta contra os inimigos declarados do país. Além disso, ressaltou que não se deve permitir “de forma alguma que surjam divergências” entre o povo iraniano.
Na sexta-feira (28), Mojtaba havia afirmado que “cometer qualquer ato que prejudique a coesão social é proibido”. Também defendeu a desdolarização gradual da economia iraniana e o fortalecimento da produção para reativar a economia, após meses de bloqueio naval americano e décadas de sanções internacionais.
Segundo fontes do círculo íntimo de Mojtaba ouvidas pela agência Reuters, seu rosto foi desfigurado no ataque aéreo de 28 de fevereiro, e ele sofreu lesões signficativas em ao menos uma das pernas.
A ausência pública de Mojtaba e a ascensão de figuras veteranas da Guarda Revolucionária Iraniana a cargos de poder alimentaram especulações de que ele esteja morto, debilitado ou que não exerça plenamente as funções de líder supremo.
Na quarta-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou acreditar que Mojtaba continua vivo. “Não acho que ele esteja morto. Ele ficou gravemente ferido. O lado esquerdo do corpo, o braço, a perna, tudo. Ele ficou gravemente ferido. Mas não acho que esteja morto”, disse.


