Após intensos embates durante a pré-campanha, o bolsonarismo vive um movimento de reaproximação, com figuras como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se unindo em torno do nome de Flávio Bolsonaro. Após cobranças públicas sobre maior engajamento, esses aliados agora desempenham papéis estratégicos na disputa.
No início da pré-campanha, Flávio Bolsonaro enfrentou desgastes com seus apoiadores, atingindo um ápice de tensões. Aliados levantaram questionamentos sobre sua condução política, apontando uma postura centralizadora que resultou em afastamento. Durante esse período, a falta de integração e os apelos por lealdade se tornaram um obstáculo para a construção de um ambiente colaborativo.
Recentemente, a dinâmica mudou significativamente. Após um pedido público de desculpas de Flávio, Michelle retomou um papel ativo na campanha, superando a recente crise entre eles, que teve como marca um vídeo em que Michelle relatava ter sido “humilhada” pelo enteado. Agora, a ex-primeira-dama não apenas aumenta sua presença nas redes sociais, mas também convoca presidentes do PL Mulher para criar um “exército rosa”, buscando atrair o eleitorado feminino, um segmento que já demonstrou resistências ao candidato.
Além disso, Michelle expressou interesse em estar mais presente nas agendas da campanha. Contudo, sua participação está sujeita às condições do ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar. A defesa de Bolsonaro tentou ajustar as visitas de familiares ao ex-presidente para facilitar a presença de Michelle em compromissos eleitorais, mas as limitações impostas pelo ministro Alexandre de Moraes permitem visitas de apenas duas horas em dias específicos, o que é inadequado para viagens mais prolongadas.
Nikolas Ferreira, também enfrentando desafios, teve momentos tensos com Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que criticou sua performance na campanha. Contudo, a situação foi abordada de forma pragmática, e Flávio endereçou a situação pedindo a união do grupo.
Após alguns meses, Nikolas se firmou como uma figura crucial ao atuar na esfera digital e marcar presença em eventos importantes, como o ato do dia 7 de Setembro, onde discursou ao lado de Flávio.
O governador Tarcísio de Freitas, por sua vez, foi alvo de críticas da ala mais ideológica do bolsonarismo por não ter se engajado de imediato na pré-campanha. Sua aproximação com Flávio se deu de forma gradual, após momentos de contenção. Recentemente, Tarcísio passou a apoiar Flávio publicamente e a pedir votos para sua candidatura. Estando presente em eventos emblemáticos e com uma abordagem menos agressiva da ala ideológica, a relação entre os dois se reforçou, favorecendo um ambiente mais harmonioso no grupo.
Esse movimento de reaproximação revela a busca pela unidade dentro do bolsonarismo e um esforço por consolidar uma base forte em prol da candidatura de Flávio, num cenário eleitoral que promete ser desafiador.


