InícioBrasilServidor pode ter recebido propina milionária para fraudar importações por Itajaí

Servidor pode ter recebido propina milionária para fraudar importações por Itajaí

Um servidor público que atua no porto de Itajaí (SC) é alvo de uma operação da Polícia Federal, nesta terça-feira (2), suspeito de receber mais de R$ 5 milhões em propina para supostamente facilitar operações de importação na região aduaneira do porto da capital catarinense.

A Operação Benaia cumpre 19 mandados de busca e apreensão nos estados de Santa Catarina e São Paulo, incluindo endereços ligados ao servidor investigado, familiares e pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor de comércio exterior. As autoridades estimam que o esquema possa ter causado prejuízos superiores a R$ 10 milhões aos cofres públicos.

“As investigações apontam que despachantes, consultorias, empresas importadoras e operadores logísticos poderiam fazer parte do esquema, que teria resultado em vantagens recebidas, direta ou indiretamente, pelo servidor. Os valores teriam sido repassados através de pagamentos em dinheiro, depósitos e pagamento de despesas pessoais, como aluguéis, faturas de cartão e aquisição de bens”, afirmou a Receita Federal em nota, que atua em conjunto com a Polícia Federal.

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Os mandados são cumpridos na cidade catarinense de Itajaí e nas paulistas de Campinas, Guarulhos, São Paulo, Barueri, Hortolândia, Paulínia, Santana de Parnaíba e Valinhos. O servidor investigado foi afastado de suas funções até a conclusão das apurações e dos procedimentos administrativos.

As primeiras imagens divulgadas pela Polícia Federal apontam a apreensão de grandes somas de dinheiro em espécie, artefatos de luxo, armas e munições. Os nomes das empresas envolvidas não foram divulgados.

A investigação começou após a Corregedoria da Receita Federal identificar indícios de incompatibilidade entre o padrão de vida do servidor e sua remuneração oficial. Também foram detectadas possíveis movimentações financeiras irregulares e sinais de favorecimento a empresas e profissionais ligados ao comércio exterior.

Segundo as investigações, o servidor teria recebido, direta ou indiretamente, pagamentos que ultrapassam R$ 5 milhões. Os repasses teriam ocorrido por meio de dinheiro em espécie, depósitos bancários e até pagamento de despesas pessoais, incluindo aluguéis, contas de cartão de crédito e aquisição de bens.

Os investigadores suspeitam que despachantes aduaneiros, consultorias, empresas importadoras e operadores logísticos possam ter participado do esquema. A hipótese é que essas empresas tenham sido beneficiadas em processos relacionados à fiscalização e liberação de mercadorias em troca das vantagens indevidas.

As autoridades alertam que a participação destes agentes compromete a fiscalização aduaneira, fragiliza os controles sobre cargas e cria concorrência desleal para empresas que atuam dentro da legalidade. As investigações continuam para aprofundar a análise dos indícios já identificados e verificar a possível existência de outros crimes relacionados ao caso.

Isso, porquê, o modo de operação deste grupo investigado é semelhante ao observado em outras apurações recentes da Receita Federal envolvendo fraudes no comércio exterior, nas quais empresas e intermediários atuariam em conjunto para obter benefícios indevidos em processos de importação com a ajuda de servidores públicos.

O porto de Itajaí é um dos principais do Brasil para movimentação de contêineres e um dos mais importantes corredores de importação e exportação do Sul do país. O complexo portuário ocupa tradicionalmente a segunda posição nacional em movimentação de contêineres, atrás apenas do porto de Santos (SP), e é fundamental para o escoamento da produção industrial e agropecuária de Santa Catarina.

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